Zulu no divã

18/05/2004 08:42

Uma teoria sobre...


Não me venham com o argumento de que chaves são seres inanimados. Não as da minha casa. Elas são vivinhas da Silva. E de um temperamento e humor ímpares. É impossível agradá-las. Mesmo quando compro o melhor chaveiro de griffe, a mais modernosa casinha-porta-chaveiro-de-parede, elas nunca se contentam, muito menos ficam quietas nos lugares óbvios que deveriam estar. Nunca colaboram comigo. Aprontam mil e uma travessuras e passam a maior parte do tempo livre brincando de esconde-esconde.

Posso até imaginar a carinha delas, dando risadinhas sarcásticas em seus esconderijos secretos (ih!ih!ih!ih!) todas às vezes, ou seja, sempre, que preciso sair às pressas de casa, e perceber que elas não estão me esperando no chaveiro. Procuro. Xingo. Não encontro. Procuro novamente. Ameaço-as. Encontro.

Sinto que elas ficam só na espreita, ao perceberem o menor sinal de que minha paciência está se esvaindo, a Chave Mestra ordena-as que saiam de suas tocas e se entreguem. Então, elas aparecem, como se nada tivesse acontecido, justo em um lugar que com certeza já havia procurado. Fazem cara de “sempre estive aqui, você é que não me procurou direito”. Pronuncio uma meia dúzia de resmungos e prometo prendê-las no cós da minha calça de onde elas nunca mais poderão fugir.

Pensam que elas se amedrontam com ameaças?! Que nada! Ao menor descuido, lá se vão as danadinhas e seus risinhos maquiavélicos, fazer peraltices e começar o jogo de “esconde-procura-xinga-não encontra-procura-encontra”, tudo novamente. Estou completamente a mercê delas.

enviada por zulu






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